Carros Que Saíram De Linha No Brasil Mas Continuam Nos Nossos Corações

O brasileiro adora seus carros, e todo mundo tem um que marcou a sua vida. Principalmente quando era seguro e as condições das estradas eram melhores, todo mundo fazia ao menos uma viagem longa e inesquecível na vida, mesmo com a reserva de mercado que transformou nossa indústria numa das mais obsoletas do planeta. Vamos acompanhar a seguir alguns carros – uns antigos e outros nem tanto – que marcaram nossas vidas, mas já não são mais fabricados.

Fusca

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ALEXANDER KLEIN/AFP/Getty Images
ALEXANDER KLEIN/AFP/Getty Images

Como não amar esse carrinho? Em determinado momento, chegou a compor 70% da frota nacional e todo brasileiro aprendia a dirigir em um. Difícil deixar de fora dessa lista aquele que por muitos anos foi o automóvel mais fabricado e mais vendido em todo o planeta.

Em 1972 já haviam sido produzidas mais de 15 milhões de unidades, batendo o recorde que até então era mantido pelo Ford T. Em 1996 ele encerrou suas atividades por aqui e deixou para trás uma multidão de fãs que até hoje o idolatra e conserva viva sua memória.

Fiat 147

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Reprodução/Wikipedia
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Primeiro carro produzido pela FIAT do Brasil que inaugurava sua fábrica em Betim (MG) em 1976, o 147 foi um divisor de águas no mercado automobilístico nacional. O excelente aproveitamento de espaço interno, a imbatível economia (importantíssima em tempos de crise do petróleo) e até então inédita estabilidade, fez dele um carro que definitivamente entrou para história e mudou para sempre o jeito de se fazer automóvel no Brasil.

No início odiado por conta de seu câmbio, passou a ser amado por colecionadores.

Jipe

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Ian Forsyth/Getty Images
Ian Forsyth/Getty Images

Ah que saudade! Parte integrante da história americana, o jipe pode ser encontrado também aqui no Brasil, onde foi lançado em 26 de abril de 1952 com a fundação da Willys Overland do Brasil, nacionalizado em 24 de fevereiro de 1954 e produzido até março de 1983, inicialmente pela Willys Overland do Brasil e depois pela Ford, que adquiriu o controle majoritário das ações da Willys em 09 de outubro de 1967.

Passat

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Reprodução/Wikipedia
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No Brasil o Passat surgiu em 1974 – um ano depois da versão europeia – mas apenas na versão fastback, nas versões standard e L e com motor 1.5. A sua primeira carroceria no Brasil foi a de 2 portas. Em 1975 foi lançada a versão de 4 portas e as versões LM e LS. Em 1976 foi lançada a de 3 portas assim como a versão 2 portas TS, com motor 1.6 e carburador solex importado da Alemanha.

O Passat usou os motores de 4 cilindros em linha longitudinais OHC 1.3 L, 1.5 L, e 1.6 L, a gasolina, também usados no Audi 80. No Brasil foi o pioneiro no uso da correia dentada.

Kombi

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Peter Steffen/picture alliance via Getty Images
Peter Steffen/picture alliance via Getty Images

Lançada com o nome de Kombinationsfahrzeug, a Kombi tinha uma missão bastante parecida com a do seu irmão menor, o Fusca, oferecendo uma opção simples e barata para o transporte de cargas e para o lazer. Ícone da cultura alternativa e precursora da história das exportações da VW do Brasil, a Kombi se destacava pela mecânica simples e barata, o preço baixo e a robustez. Parou de ser fabricada somente em 2013, com uma série especial que remetia aos modelos mais luxuosos do passado.

Simca Chambord

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Reprodução/Wikipedia
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O Simca Chambord deixou tanta saudade que até música ganhou. Produzido pela Simca francesa entre 1958 e 1961, desenvolvido a partir do Simca Versailles. Tal como este, imitava os automóveis americanos da época. Foi o primeiro automóvel de luxo a ser construído no Brasil sob licença, desde 1959 até 1967. O Chambord também marcou uma época por ser o veículo usado pelo ator Carlos Miranda, protagonista da popular série de TV O Vigilante Rodoviário.

Opala

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Reprodução/Wikipedia
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Com nome oriundo da fusão entre Opel e Impala, o Opala teve diversas versões aqui nas terras brasileiras, totalizando quase um milhão de unidades vendidas ao longo de sua trajetória. Todo mundo tem um tio dono de um Opala! Produzido desde 1968, sempre foi um carro para os mais abastados e um sonho de consumo já que era um dos carros mais potentes do fechadíssimo e atrasado mercado brasileiro da época. Parou de ser produzido em 1992, pois não conseguiu competir com os importados quando a reserva de mercado foi extinta.

Karmann-Ghia

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Reprodução/Wikipedia
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Suas linhas são – ainda hoje – lindíssimas. O Karmann-Ghia deveria ser um automóvel esportivo produzido pela Volkswagen, projetado pela empresa italiana Carrozzeria Ghia, e construído pela empresa alemã Karmann, mas a mecânica não ajudou muito. Foi produzido inicialmente na Alemanha, e mais tarde também no Brasil. Cerca de 445.000 Karmann-Ghias foram produzidos entre 1955 e 1975. Cobiçadíssimos por colecionadores, um exemplar em bom estado chega fácil ao preço de um modelo 0Km. Curiosidade? O projeto inicial apresentado pela Karmann não agradou muito aos executivos da VW. Imagina se não tivesse saído do papel?

Rural

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Reprodução/OLX
Reprodução/OLX

12 anos após seu lançamento nos EUA, o utilitário desembarcou aqui em terras brasileiras para ser produzido por 19 anos com mais de 180 mil unidades fabricadas. Seu principal competidor era a Chevrolet Veraneio e eram as preferidas para longas viagens. Nos dias de hoje, está mais fácil encontrar uma Rural andando por aí do que sua adversária, isso porque foi muito utilizada no campo e lá o povo não troca de carro a cada temporada.

Uno

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Reprodução/Wikipedia
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Em 1984, o Fiat Uno foi lançado no Brasil com o objetivo de suceder o Fiat 147, Como este último ficou marcado por problemas no câmbio, o início do sucesso do Uno, se deu apenas em agosto de 1990, quando motores até 1000 cm³ tiveram alíquota de IPI reduzida de 40% para 20% pelo governo, o que levou a marca a apresentar, em apenas 60 dias, a versão 1 L do carro.. Era o Fiat Mille, versão mais despojada do então modelo de entrada, a versão S.

Essa versão foi responsável pela popularização do automóvel. O Mille virou referência de mercado para os modelos populares.

Maverick

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Reprodução/Wikipedia
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O Ford Maverick, para o mercado brasileiro, era confortável, espaçoso, luxuoso e potente, mas era considerado nos EUA como um modelo pequeno, fraco e barato.

O carro foi lançado no Brasil em todas as versões, duas e quatro portas e motores de 4, 6 e oito cilindros, sendo este último ainda hoje objeto de desejo de muitos. Nos EUA, logo no primeiro ano de vida, ele vendeu mais de 579.000 unidades – 5.000 a mais do que o Mustang.

Corsa

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Reprodução/Wikipedia
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Como esquecer a sensação que esse redondinho causou no seu lançamento?

O Chevrolet Corsa foi lançado no país em 10 de janeiro de 1994, com as formas da 2ª geração do Opel Corsa alemão. O modelo veio para cá com a importante missão de substituir o Chevrolet Chevette, o que conseguiu com muito mais sucesso do que o esperado, pois no segundo ano de sua produção já era líder de mercado em seu segmento. Na época, foi uma inovação no segmento dos carros pequenos, pois trouxe um projeto moderno, com linhas arredondadas e acréscimos em termos de segurança e mecânica: na versão Wind 1.0 foi o primeiro carro popular com injeção eletrônica de combustível.

Interlagos

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Ray Brock/The Enthusiast Network/Getty Images
Ray Brock/The Enthusiast Network/Getty Images

Em 1961, a Willys Overland do Brasil iniciou a produção de um belo cupê baseado na mecânica do velho Gordini, uma variação do Renault Dauphne da década anterior. De linhas atraentes até hoje, o modelo era uma “versão nacional” do Renault Alpine A108.

Por conta da mecânica, ele não tinham uma performance realmente esportiva, mas oferecia característica desse segmento, sendo considerado o primeiro do tipo feito no Brasil. Seu pequenino motor traseiro teve de 845 cm3 a 1.0 litro, indo dos iniciais 42 cavalos até 70 cavalos. Ficou famoso nas pistas brasileiras.

Corcel

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Reprodução/Wikipedia
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Quando a Ford adquiriu o controle acionário da Willys Overland do Brasil em 1967, essa última estava desenvolvendo um projeto em parceria com a Renault, o projeto “M”. Esse projeto deu origem ao Renault 12 na França e, com uma carroceria diferente, ao Corcel no Brasil.

Lançado inicialmente como um sedã 4 portas e a seguir como um coupé, em 1969, o carro foi bem aceito quando de sua estreia em 1968. O espaço interno e o acabamento chamavam a atenção, e as inovações mecânicas eram muitas.

Puma GT

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Reprodução/Wikipedia
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Em 1968, surgiu o Puma GT, que era baseado na mecânica DKW e que posteriormente ganhou motor VW, mas foi rebatizado de GTE em 1970 e conquistou o Brasil com seu estilo italiano e mecânica confiável.

A base era Volkswagen 1600 a ar e sua carroceria de fibra de vidro o tornava um carro bem leve, ágil e até econômico. Essa variante vendeu 8,8 mil unidades e junto com o GTS, que é a versão conversível, emplacou quase 16 mil unidades só nos anos 70, mas foi outro que não resistiu à abertura do mercado aos importados, na década de 1990.

Dodge Dart

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Reprodução/Wikipedia
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O Dodge Dart foi introduzido como um carro grande em 1960; em 1962 tornou-se um carro de tamanho médio e, finalmente, foi produzido em versão compacta entre 1963 e 1976.

No Brasil, o primeiro modelo saiu somente na versão Sedan, ou seja, modelo 4 portas (o coupé saiu em 1971) sendo que nesse mesmo ano foi eleito o carro do ano, segundo a Revista Autoesporte – principal publicação especializada da época e nadava de braçada no mar de fuscas da época.

SP2

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Reprodução/Wikipedia
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Em 1972, a Volkswagen começava a produção de um cupê de estilo esportivo, que hoje é um clássico raro e histórico dentro do grupo VW. O modelo foi de grande importância para a filial brasileira, pois mostrava a enorme independência em relação à matriz, tendo inclusive exportado para a Europa em torno de 670 carros.

Com base na Variant e dotado de motores boxer 1600 (SP1) e 1700 (SP2), logo o segundo se tornou o mais popular, com 75 cavalos, embora de desempenho modesto. Seu estilo é celebrado ainda hoje. Durou até 1976 e foi contemporâneo do primo Karmann-Ghia TC, outro esportivo da via Anchieta.

Vemaguete

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Reprodução/Wikipedia
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Quem lembrar desse certamente estará morrendo de saudades. A Vemaguete foi um automóvel brasileiro produzido pela Vemag, sob licença da fábrica alemã DKW, entre 1958 e 1967. Ao total, foram produzidas 47.769 unidades. Uma delícia de carrinho.

Até 1963 as portas dianteiras abriam ao contrário, da frente para trás, no sentido do conforto, conquistando o apelido de portas “deixa ver” ou “DêChaVê”, referindo-se obviamente ao uso dessas portas por mulheres vestindo saias.

Seu motor de três cilindros em linha e dois tempos de 1 litro, era dianteiro, assim como a tração. Uma bobina por cilindro, refrigeração liquida, partida elétrica e em vez de usar buchas, casquilhos ou bronzinas em suas partes móveis, usava rolamentos, proporcionando assim uma durabilidade acima do comum para os carros da época.

Monza

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Reprodução/Web
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Poucos carros marcaram tão forte uma geração quanto o Monza, que foi apelidado de “O queridinho da Classe Média”, já que era difícil adquirir um carro deste porte na década de 80 e este impressionava a todos, sendo eleito o carro daquela década. O modelo brasileiro, foi lançado como um sedan de luxo, já que a Ford tinha o Del Rey. Com o lançamento do Monza, o Del Rey ficou velho da noite para o dia. O Monza, inicialmente lançado como Hatch e alguns meses depois na versão Sedan, era campeão em aerodinâmica e tecnologia, coisa que na época, poucos carros ofereciam. O mais próximo deste, era o Passat.